Rodada de Negócios do Pirarucu conecta comunidades ribeirinhas da Amazônia a empresas em Tefé (AM), no dia 27

Evento reúne comunidades manejadoras de pirarucu e empresas do setor alimentício interessadas em fortalecer uma das mais bem-sucedidas cadeias produtivas sustentáveis da Amazônia
O Instituto Mamirauá realizou, em sua sede, em Tefé (AM), o 17º Encontro de Manejadores e Manejadoras de Pirarucu da Região do Médio e Alto Solimões, como parte das ações do Projeto Entre Águas Amazônicas. A iniciativa é financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e conta com o apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O evento reuniu mais de 160 representantes de comunidades manejadoras, pesquisadores e instituições parceiras para discutir estratégias de fortalecimento da conservação dos territórios de manejo e alinhar os preparativos para a temporada de pesca de 2026.
Realizado na última quinta-feira (23), na sede do Instituto Mamirauá, em Tefé (AM), o encontro apresentou pesquisas científicas e um novo sistema digital de vigilância ambiental. Ocorreu também a entrega das autorizações para a pesca manejada do pirarucu em 2026.
A programação incluiu apresentações de pesquisas e iniciativas relacionadas à cadeia produtiva do pirarucu. Entre os temas debatidos estiveram estudos sobre a vulnerabilidade da espécie diante de eventos climáticos extremos, como as secas registradas nos últimos anos na região, além da apresentação de equipamentos e estruturas de apoio à produção voltados à qualidade, segurança e rastreabilidade do pescado manejado.
Também foram discutidas estratégias voltadas à conservação ambiental e à proteção dos territórios onde o manejo é realizado.Para a coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, Ana Cláudia Torres, o encontro representa o encerramento do ciclo de avaliação do manejo e o início do planejamento da próxima temporada.
" Vivemos a expectativa sobre os impactos que as condições climáticas podem trazer para a pesca. As águas seguem muito altas e ainda não é possível prever se teremos um cenário semelhante ao de 2023, 2024 ou 2025. Por isso, estamos trabalhando para minimizar esses impactos, antecipando as autorizações de pesca e avançando nas negociações para reduzir ao máximo os riscos inerentes às mudanças climáticas."
Segundo a coordenadora, está prevista para 2026 uma redução da captura de peixes em relação à 2025, medida que busca adequar a oferta do produto às condições de comercialização.
"Essa diminuição não acontece por um mau desempenho dos grupos de manejadores , mas como uma estratégia para agregar valor ao produto e melhorar as condições de negociação, em vez de apenas ampliar o volume de produção."Outro tema abordado foi a atuação de instituições públicas na gestão ambiental e na implementação de políticas relacionadas à conservação dos recursos naturais. Representantes de órgãos ambientais e de secretarias municipais de meio ambiente participaram das discussões, apresentando informações sobre procedimentos, atribuições institucionais e formas de apoio às comunidades manejadoras.
Distribuidores, supermercados, restaurantes e demais interessados na comercialização de pescado sustentável terão a oportunidade de negociar diretamente com comunidades amazônicas durante a XVIII Rodada de Negócios do Pirarucu de Manejo Sustentável. O encontro será realizado no dia 27 de agosto, em Tefé (AM), reunindo grupos manejadores, compradores e representantes dos diversos elos da cadeia produtiva do pirarucu. A participação é gratuita e aberta a empresas de todos os portes.
Mais do que um espaço para a comercialização do pescado, a Rodada de Negócios é um ambiente estratégico para fortalecer toda a cadeia produtiva do pirarucu de manejo sustentável. Além dos compradores, o evento busca aproximar empresas que oferecem serviços e insumos essenciais para a atividade, como locação de embarcações, fornecimento de rancho, gelo, combustível, materiais de pesca e outros produtos e serviços que contribuem para tornar o manejo mais eficiente e competitivo.
A expectativa é reunir representantes dos grupos de manejo assessorados pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, compradores já consolidados e novas empresas interessadas em ingressar nesse mercado. A negociação direta entre manejadores e empresas permite estabelecer acordos com maior transparência, ampliar oportunidades comerciais e fortalecer um modelo produtivo reconhecido por conciliar conservação da biodiversidade e desenvolvimento social.
Projeto Entre Águas Amazônicas
A Rodada de Negócios do Pirarucu, que ocorre anualmente há 18 anos, nos últimos 2 anos foi inserida no âmbito do Projeto Entre Águas Amazônicas, executado pelo Instituto Mamirauá - organização vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) -, com o apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O Projeto visa fortalecer processos participativos de gestão dos recursos naturais, conservação da biodiversidade amazônica e à manutenção dos estoques de carbono especialmente de áreas protegidas do Amazonas, Pará e Amapá.
Além de organizar o evento em si da Rodada de Negócios (definição do local, articulação e convite a fornecedores e compradores, mesas de negociação), o Instituto Mamirauá apoia o processo de fortalecimento das organizações locais rumo à autonomia em relação à dependência do suporte institucional, ampliando a capacidade delas de articulação direta com parceiros e compradores. O intuito é tornar as organizações protagonistas na condução destas agendas, representadas pela Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu da Região de Mamirauá (FEMAPAM), composta por associações comunitárias de pescadores, manejadores de pirarucu, comunidades ribeirinhas.
Posteriormente à Rodada de Negócios, o Instituto Mamirauá segue acompanhando as tratativas, fornecendo suporte na elaboração do contrato de compra e venda da produção, e orientando quanto aos procedimentos para o ingresso local nas unidades de conservação e para a emissão das guias de trânsito e comercialização da produção, além da declaração de estoque.
“A crescente demanda por alimentos produzidos de forma sustentável representa uma oportunidade importante para as comunidades amazônicas. Os alimentos aquáticos fornecem pelo menos um quinto da proteína animal consumida por cerca de 3,1 bilhões de pessoas e o setor pesqueiro sustenta mais de 600 milhões de emprendimentos que se constituem em meios de vida de famílias, principalmente rurais, em todo o mundo, segundo o último relatório ‘O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura’ - SOFIA 2026, divulgado pela FAO", afirma Jorge Meza, Representante da FAO no Brasil.
"A Rodada de Negócios é muito mais do que um espaço para comercialização da produção anual. É o momento em que aproximamos diretamente as comunidades manejadoras dos compradores, fortalecendo relações comerciais de longo prazo e demonstrando que é possível conciliar conservação da biodiversidade, geração de renda e desenvolvimento sustentável na Amazônia", afirma Ana Cláudia Gonçalves, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá.
Safra de 2026
O evento em Tefé marca o início da comercialização da safra de pirarucu de manejo de 2026. A previsão é de aproximadamente 630 toneladas de pescado, cuja comercialização ocorrerá por meio de feiras, da Marca Coletiva Gosto da Amazônia, da Indicação Geográfica Mamirauá e da XVIII Rodada de Negócios. Com mais de 60% da produção prevista disponível para negociação durante a Rodada, o evento é um dos principais ambientes de articulação comercial da cadeia produtiva do pirarucu de manejo sustentável.
Na edição de 2025, a Rodada de Negócios reuniu representantes de 18 grupos de manejo, envolvendo 45 comunidades e aproximadamente 940 manejadores e manejadoras da região do Médio Solimões, demonstrando a capacidade de organização e produção das comunidades participantes.
Referência em recuperação de recursos pesqueiros
Os resultados alcançados refletem mais de 25 anos de construção conjunta entre pesquisadores, técnicos e comunidades amazônicas, iniciativa que transformou um peixe ameaçado pela sobrepesca em uma das maiores referências mundiais de manejo sustentável de recursos pesqueiros.
Nas áreas assessoradas pelo Instituto Mamirauá e instituições parceiras, as populações de pirarucu aumentaram cerca de 620% desde o início do programa de manejo, enquanto a atividade já gerou mais de R$ 40 milhões em renda para as comunidades envolvidas. Hoje, o manejo sustentável do pirarucu é reconhecido como uma das mais bem-sucedidas experiências brasileiras de uso sustentável da biodiversidade, conciliando conservação dos recursos naturais, segurança alimentar e desenvolvimento socioeconômico.
Além da recuperação populacional da espécie, o manejo também permitiu o retorno de indivíduos de grande porte. O tamanho dos pirarucus capturados é um dos indicadores utilizados para avaliar a recuperação dos estoques de peixes. Atualmente nas áreas de manejo, os pirarucus pescados apresentam comprimento médio de 1,72 metro, com registros de exemplares superiores a 2,40 metros.
Além dos benefícios ambientais e sociais, o modelo atende à crescente demanda do mercado por alimentos produzidos com responsabilidade socioambiental. Cada exemplar comercializado é proveniente de áreas manejadas, onde a pesca ocorre sob critérios técnicos, monitoramento científico e o protagonismo das comunidades locais, garantindo a legalidade, a rastreabilidade e a sustentabilidade do produto.
Serviço
XVIII Rodada de Negócios do Pirarucu de Manejo Sustentável
Data: 27 de agosto de 2026
Horário: Início às 8h
Local: Salão de Festas Regis Buffet – Rua Capitão José Patrício, nº 448, Centro – Tefé (AM)
Participe! Mais informações:
Equipe do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá
• Ana Cláudia – (97) 99151-4246
• Jonas Batista – (97) 98608-3972
• Yvina Batalha – (97) 98105-1684





