As florestas de várzea e os manguezais estão entre os ecossistemas mais importantes da Amazônia. São ambientes de grande biodiversidade, fundamentais para a reprodução e alimentação de inúmeras espécies e para a vida de populações que dependem diretamente de seus recursos naturais. Também prestam serviços ecossistêmicos essenciais, como retenção de sedimentos, armazenamento e purificação da água e regulação do microclima, além de contribuírem para o armazenamento de carbono. Os manguezais também desempenham um papel importante na proteção da costa contra a erosão provocada por ondas e tempestades.
Ao mesmo tempo, esses ecossistemas estão sujeitos a diferentes pressões, como o uso não sustentável dos recursos naturais, o desmatamento e os efeitos das mudanças climáticas. É nesse contexto que atua o projeto Fortalecimento dos Processos Participativos de Gestão dos Recursos Naturais para o Desenvolvimento Econômico Sustentável, Conservação da Biodiversidade e Manutenção dos Estoques de Carbono em Áreas Úmidas Amazônicas, denominado, de forma abreviada, Entre Águas Amazônicas. A iniciativa busca conciliar conservação da biodiversidade e desenvolvimento econômico sustentável por meio do fortalecimento da gestão participativa dos recursos naturais, contribuindo também para a manutenção dos estoques de carbono.
A iniciativa abrange territórios que somam cerca de 4,8 milhões de hectares nos estados do Amazonas, Pará e Amapá, incluindo unidades de conservação, terras indígenas e paisagens produtivas. Suas ações estão especialmente relacionadas aos ecossistemas de várzea e manguezal e às atividades econômicas e aos modos de vida associados a esses ambientes.
A iniciativa é financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e conta com o apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A execução é do Instituto Mamirauá, Organização Social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).


Conservação e desenvolvimento sustentável construídos com quem vive nos territórios.
Foto de Marco Raccichini
%20estendido_menor.jpg)
Conhecimento local e ciência trabalhando juntos
Foto de Miguel Monteiro
Povos indígenas e comunidades tradicionais acumulam conhecimentos construídos ao longo de gerações sobre os ambientes onde vivem, as espécies, os ciclos das águas e as formas de utilização dos recursos naturais. Esses conhecimentos são parte fundamental das estratégias de conservação e manejo desenvolvidas nos territórios.
O Entre Águas Amazônicas promove a integração desses saberes com conhecimentos técnico-científicos e ferramentas de gestão e monitoramento. A proposta é construir e aprimorar, de forma participativa, soluções adaptadas às características ambientais, sociais e culturais de cada território, fortalecendo também as organizações locais para que possam conduzir e acompanhar esses processos. O projeto valoriza, assim, tanto o conhecimento produzido pelas comunidades quanto a pesquisa e as experiências técnicas acumuladas na conservação e no uso sustentável da biodiversidade.
Essa abordagem está presente no manejo sustentável do pirarucu, do caranguejo-uçá e de jacarés; no manejo florestal madeireiro e de produtos florestais não madeireiros; nos sistemas agroecológicos; e no turismo de base comunitária.
Como o projeto atua
Para alcançar seus objetivos, o Entre Águas Amazônicas está organizado em três componentes complementares, que conectam o fortalecimento das pessoas e organizações, a implementação de soluções nos territórios e a produção e o compartilhamento de conhecimentos.
O primeiro componente busca ampliar as condições para que comunidades, organizações locais, gestores e instituições parceiras participem de forma cada vez mais qualificada da gestão sustentável dos recursos naturais, fortalecendo lideranças e a gestão comunitária.
O projeto promove formações de curta e longa duração, atividades práticas e intercâmbios que abrangem desde conhecimentos sobre biologia e ecologia das espécies e práticas de manejo até temas como liderança, organização comunitária, gestão financeira, políticas públicas, análise de dados, comercialização e acesso a mercados. Também apoia o fortalecimento de aproximadamente 26 organizações comunitárias, muitas delas diretamente envolvidas na gestão dos recursos naturais e das cadeias produtivas em seus territórios.
A juventude tem papel importante nessa estratégia. Por meio do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá, jovens lideranças participam de uma formação de longa duração que combina conhecimentos técnico-científicos, experiências práticas e saberes construídos nos territórios. Ao longo desse processo, desenvolvem planos de ação relacionados às necessidades de suas comunidades e organizações, fortalecendo sua participação na gestão e conservação da biodiversidade.
Outro resultado importante deste componente é a elaboração e o aprimoramento participativo de protocolos e planos de manejo, reunindo conhecimentos locais, bases técnico-científicas e requisitos legais para orientar o uso sustentável dos recursos naturais.
O segundo componente coloca essas estratégias em prática nos territórios. O projeto apoia comunidades e organizações locais na implementação e no aprimoramento do manejo sustentável e trabalha diferentes etapas das cadeias produtivas associadas à biodiversidade.
As ações incluem monitoramento das populações de espécies manejadas, proteção e gestão dos territórios, desenvolvimento e implementação de planos de manejo, melhoria das condições de processamento e transporte, adoção de tecnologias de menor impacto e aproximação entre produtores, compradores e mercados.
O projeto investe, por exemplo, em unidades flutuantes para o pré-processamento do pirarucu, estruturas para o processamento de polpas de frutas e farinha de mandioca, tecnologias para reduzir a mortalidade do caranguejo-uçá durante o transporte e soluções de energia solar associadas às atividades desenvolvidas nos territórios.
As ações também buscam melhorar as condições de trabalho e a qualidade dos produtos e ampliar as possibilidades de acesso a mercados e políticas públicas. Dessa forma, o projeto procura fortalecer atividades econômicas baseadas no uso sustentável da biodiversidade, associando conservação dos recursos naturais e geração de renda para as comunidades.
O terceiro componente busca transformar as experiências desenvolvidas nos territórios em conhecimento capaz de aprimorar a própria execução do projeto e contribuir para outras iniciativas de conservação e desenvolvimento sustentável na Amazônia. Para isso, acompanha resultados, sistematiza experiências e lições aprendidas e promove o intercâmbio e a circulação dos conhecimentos produzidos ao longo do projeto.
A gestão do conhecimento também tem como objetivo criar condições para que experiências bem-sucedidas possam ser adaptadas e replicadas em outros territórios. O projeto investe ainda no fortalecimento da governança, na articulação entre comunidades, instituições públicas, organizações da sociedade civil, academia e outros atores e na busca de estratégias que contribuam para a continuidade das iniciativas e dos resultados alcançados após sua execução.
Além de publicações técnico-científicas e materiais de orientação, o projeto prevê a produção de videoaulas para ampliar o acesso a conhecimentos e práticas relacionados ao manejo sustentável dos recursos naturais. A disponibilização desses conteúdos também busca favorecer a replicação e a adaptação das experiências desenvolvidas pelo Entre Águas Amazônicas em outros territórios.

Foto base de Miguel Monteiro, com alteração de elementos via IA
Juventude e igualdade de gênero
O Entre Águas Amazônicas reconhece a participação de jovens e mulheres como fundamental para fortalecer a gestão dos recursos naturais e a continuidade das iniciativas de conservação nos territórios. Por isso, o projeto busca ampliar sua presença nos espaços de formação, liderança, gestão e tomada de decisão.
A atenção à juventude busca contribuir para a formação de novas lideranças e ampliar a participação dos jovens nas organizações e nas iniciativas desenvolvidas em seus territórios. A igualdade de gênero, por sua vez, é incorporada de forma transversal às ações do projeto, considerando as diferentes formas de participação das mulheres na gestão dos recursos naturais, nas atividades produtivas e nas organizações comunitárias.

Foto de Miguel Monteiro
O Entre Águas Amazônicas atua nos estados do Amazonas, Pará e Amapá, em territórios que, juntos, abrangem cerca de 4,8 milhões de hectares. A iniciativa envolve 20 áreas protegidas — 18 unidades de conservação e duas terras indígenas — e quatro paisagens produtivas, formadas por três complexos de lagos e pela região de Tefé.
Dentro dessa ampla área de atuação, o projeto estabelece como meta contribuir diretamente para a melhoria da gestão dos recursos naturais em 547.933 hectares de áreas protegidas e 33.242 hectares de paisagens produtivas, por meio de estratégias de conservação, manejo sustentável e fortalecimento da governança desenvolvidas nos territórios.
A manutenção dos estoques de carbono desses ecossistemas também integra os objetivos do projeto. Ao fortalecer a conservação e o uso sustentável das florestas de várzea e dos manguezais, o Entre Águas Amazônicas contribui para uma agenda que conecta biodiversidade, desenvolvimento sustentável e enfrentamento das mudanças climáticas.
A dimensão social é igualmente importante. O projeto prevê alcançar diretamente 8.623 pessoas, sendo 4.408 mulheres e 4.215 homens, e envolve aproximadamente 26 organizações comunitárias, que desempenham papel fundamental na gestão dos recursos naturais e nas iniciativas desenvolvidas nos territórios.
As ações de formação também têm escala significativa: o projeto estabelece a meta de envolver 2.852 pessoas em atividades voltadas ao desenvolvimento e intercâmbio de conhecimentos e práticas relacionados à conservação, ao manejo sustentável, à gestão das organizações e às cadeias produtivas. Parte desse esforço é direcionada à formação de novas lideranças, com atenção especial à participação de jovens e mulheres.
8.623 pessoas
alcance previsto das ações voltadas à conservação e ao uso sustentável, sendo 4.408 mulheres e 4.215 homens
cerca de 26 organizações comunitárias
envolvidas nos territórios e nas ações do projeto
Abrangência e alcance do projeto

ORGANIZAÇÕES EXECUTORAS
E FINANCIADORAS DO PROJETO
AGÊNCIA EXECUTIVA:
MINISTÉRIO DA CIÊNCIA,
TECNOLOGIA E INOVAÇÃO (MCTI)
FINANCIADOR:
FUNDO GLOBAL PARA
O MEIO AMBIENTE (GEF)
ORGANIZAÇÃO EXECUTORA:
INSTITUTO MAMIRAUÁ
APOIO TÉCNICO:
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS
PARA A ALIMENTAÇÃO E A AGRICULTURA (FAO)
Para saber mais sobre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO):
Instituto Mamirauá
(97) 3343-9700 • sede em Tefé (AM)
(91) 3086-9184 • escritório em Belém (PA)